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quinta-feira, 4 de março de 2010

Texto do livro " A VIDA DE DIVINA "

― Nasceu...
― É menino ou menina? A mãe perguntou aflita.
― Uma bela menina, Crispina! Respondeu joaquina, a parteira que fazia os partos das mulheres por aquelas bandas.
― Divina... Ela se chamará Divina. ― a mãe afirmou categórica o que seria o nome de batismo da criança que ela acabara de parir.

Crispina Já era mãe de Damiana, Donata, e Rosalva. Filhas vivas das cinco que tivera. Havia torcido muito para que desta vez tivesse vindo um menininho, mas, o destino teimava em lhe fazer mãe só de meninas. E ela recebia em seus braços a Sua sexta filha, Divina.

Continuou tentando um menino... da sua ultima tentativa nascera a Dominique. E ela cansada de tanto parir na espera do menino decidiu fazer o estrangulamento das trompas.

Com vinte e quatro anos de idade, mãe de sete filhas, Crispina continuava tão linda quanto no dia em que Damião lhe conheceu dentro daquele circo fazendo acrobacias, quase uma menina na flor dos seus quinze anos, quando ela abandonou a sua vida de andante para viver ao lado daquele cavalheiro vinte anos mais velho que ela.

Damião ficou encantado com a beleza de Crispina e jurou fazer dela a sua companheira, não foi difícil para ela se apaixonar por aquele caboclo com ares autoritários.

Damião ganhava muito bem como fiscal do estado e com ele Crispina vislumbrou um belo futuro, além de ter um bom macho para tomar conta da sua vida.

Muito fogosa, ela deixava Damião de pernas bambas. E o resultado tinha sido um filho a cada dois anos aproximadamente.

Marido satisfeito não tinha do que reclamar, ele era só sorrisos e amava aquela mulherada da sua casa. Embora sempre que tinha oportunidade falava:

― Mulher vê se você pari um menino homem, Para ajudar a tomar conta da mulherada desta casa ― ele alisava os cabelos dela e dava aquela sua risada... ― depois falava ― é brincadeira nêga tou muito feliz com nossa cria, e também sei que você já ta capada.

Crispina Vivia para criar as filhas. Damião lhes proibia de saírem para qualquer lugar que não fosse com ele. Até para poderem ver os parentes aproveitavam as horas que ele estava no trabalho, nem as irmãs de Crispina, podia vir visita-la. Por amor e submissão ela aceitava aquela situação, e assim viviam a vida sem interferência de terceiros.

Crispina e Damião souberam a dor da perda de um filho quando a filhinha Domínica de dois anos e um mês mais nova que a Damiana tivera uma febre alta acompanhada de uma tosse convulsa e com todo corpinho, com menos de vinte e quatro horas a menina morreu, ela ainda não havia completado um ano de idade.

Crispina fora acometida de uma grande tristeza, e para vê-la feliz e sair daquele estado de apatia, Damião mandou chamar a irmã mais velha de Crispina para lhe visitar e assim Corbelha passou a freqüentar a casa para trazer conforto a irmã sofrida.

Trés anos depois da morte da pequena Rosana novamente Crispina e Damião passavam pela mesma dor. Em um domingo de muito calor foram tomar banho de rio, levaram sexta de lanches e passaram um dia de muita alegria e algazarra banhando-se nas aguas frias do Cachoeirinha, rio de aguas escuras que cortava a cidade. E era local de lazer da maioria dos moradores.

Já passava da meia noite quando uma das gémeas, a Rosana começou a gemer e dizer que estava com dor na cabeça, Crispina lhe deu uma caneca com chá e umas gotinha de analgésico, ela dormiu mas no outro dia amanheceu morta e nunca se soube qual foi a causa de morte da garota. Novamente a tristeza se abateu naquela família e Damião já não sabia o que fazer com a situação de desespero da sua mulher, novamente pediu socorro a Corbelha.

Depois da perda das suas duas filhas Crispina perdeu um pouco do brilho da juventude, mas ainda era muito bonita e dedicava um amor muito grande ao seu caboclo, ele por sua vez não demonstrava, mas tinha um sentimento de revolta por Deus ter lhe levado aqueles dois anjinhos que eram suas filhinha, ele costumava dizer que Deus não existia.

E assim os anos foram passando.

Criadas na fartura as filhas de Damião e Crispina foram educadas pelo pulso forte do pai. Ciumento da família ele sempre presente as vigiava para não permitir amizades e namoros.

Damiana a filha mais velha sempre fora a sua queridinha, junto com a Donata, porem eram as mais cobradas. Dominique a caçula era muito boazinha e a mais compreensiva. Rosalva muito sonsa e sonsa e invejosa, sempre que podia aprontava as escondidas, mas na frente dos pais se fazia de uma santa. já a Divina era considerada a pimenta da casa. Não tinha papas na língua e sempre falava o que pensava, por isto estava sempre sendo castigada, ela não era bonita, como as irmãs, que tinham olhos verdes pele clara e cabelos lisos, por isto crescera com um pouco de despeito. As irmãs tinham os traços finos da mãe e ela os rudes traços do pai, da mãe ela havia herdado a natureza alegre e compreensiva.

 
Trecho do livro em andamento com titulo provisório " A vida de Divina "

4 comentários:

  1. Não vai demorar muito, prometo até o final de 2010 estar terminado. Rsrsrs...

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  2. Janett,
    Escolhi por acaso essse trecho do livro em andamento. Estou simplemente maravilhada e encantada com o que li! voce eh genial menina, tem mais eh que continuar escrevendo e publicar os seus livros. Parabens minha querida Jana.

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  3. Vindo de você este comentário, me faz muito feliz. pois está vindo de uma pessoa com conhecimento no assunto, e sei que está sendo sincera.
    Amiga muito obrigado.
    Amoooooo você!

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